Um livro sobre fabricação de cerveja

Um livro sobre fabricação de cerveja

“24 horas em um dia, 24 garrafas em uma grade.

Coincidência? Não me parece.”

Sthepen Wright

 

No ano de 1979, nos Estados Unidos, Jimmy Carter (à época, Presidente dos Estados Unidos) tornou legal a fabricação de até 200 litros de cerveja por ano em casa. Antes disso, a fabricação caseira de cerveja era ilegal. Em 1980, Ken Grossman fundou a Sierra Nevada Brewing Co., que nascia, junto com várias outras cervejarias, ao longo dos anos seguintes a essa liberação. Na mesma época, Charlie Papazian (americano Guru Cervejeiro) voltando de uma de suas viagens a Inglaterra, fundou a Brewers Association—uma associação de cervejeiros caseiros—e, em seguida, o Great American Beer Festival (que em 2011 fez 30 anos). Este festival é considerado a primeira celebração do movimento cervejeiro nos EUA, um marco que trouxe uma nova fase para a indústria cervejeira do país. Com uma mentalidade de união e compartilhamento, as cervejarias tiveram como crescer. O volume de importação de cervejas triplicou entre 1992 e 2007. As pessoas estavam mais dispostas a tomar uma cerveja que não fosse sempre igual queriam inovar, queriam criar e estavam animadas a fazer isso em casa, como antigamente. Fruto disso são os livros lançados com cada vez maior frequência por lá, falando sobre cerveja.

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Naked Brewers, escrito por Christina Perozzi e Hallie Beaunne (ambas sommelier, consultoras e escritoras), nos mostra uma divertida maneira de ler e de fazer cerveja. Elas começam dizendo, “Você não precisa ser um expert, você só precisa relaxar”. Com isso, elas conduzem o livro de maneira leve e presente, aos poucos, da mesma maneira como mães passam conhecimento. O livro foi traduzido pela Editora Tapioca no Brasil.

Para quem gosta de cozinhar com os amigos, com a cerveja é quase a mesma coisa. Só que em proporções muito maiores. Parece que se vai cozinhar no domingo para uma enorme família! Grandes panelas e um tempão ao lado do fogão. A paixão por cozinhar parece está sempre presente no livro. As escritoras a todo o momento lembram que a paixão pela comida é importante na mesma intensidade na hora de fazer sua cerveja. Todo o processo é descrito de forma engraçada: elas vão te ajudar a entender o sentimento entediante de ter que esperar cada etapa do processo de fabricação.

Você provavelmente ainda não tem todo o material que precisa em casa para se fazer cerveja. No Brasil, já existem empresas que vendem artefatos para um upgrade em sua cozinha. Uma boa busca na internet vai lhe ajudar a achar o que falta. No Capítulo 1, elas dão uma explicação sobre os ingredientes que você precisa. Nem todos os ingredientes do livro você acha no Brasil. Faça uma pesquisa do que existe aqui para não começar uma receita sem ter tudo. Mesmo na culinária, ainda é preciso improvisar quando usamos receitas de outros países.

No segundo capítulo, dicas para você se tornar um cervejeiro (o que pode não ser tão fácil quanto parece e nem tão difícil quanto dizem). E os motivos de produzir pouca cerveja quando se começa e os passos a seguir. Alguns termos usados para a fabricação também são descritos.

Não desista! Todo cervejeiro que se preze tem uma boa história para contar sobre uma produção que não deu certo. Para isso, sempre tenha cervejas na geladeira e não perca nunca o espírito corajoso de se fazer sua própria cerveja! A expectativa que criamos é algo a ser trabalhado, assim como em tudo na vida. Quanto mais praticamos, melhor fica. Não seria diferente na nova cozinha da sua cervejaria caseira. Antes de desistir por causa de uma cerveja que não tenha ficado tão boa, comece a pensar onde você errou, releia o livro e continue relendo. Este livro tem dicas preciosas sobre que você não deve fazer, de modo que o caminho se torne mais fácil e mais divertido!

Nos capítulos seguintes, as autoras sugerem três diferentes receitas para você escolher por mês. Elas tiveram o cuidado de pensar nas receitas e nas estações do ano. Como estamos no Brasil, nosso clima é o inverso do de lá. Então faça os ajustes para não tomar uma cerveja muito refrescante durante nosso inverno. Mais do que dar só receitas de cerveja, o livro traz também receitas para se fazer com cerveja. Dicas dos estilos produzidos e suas peculiaridades também são encontradas neste livro.

No livro todo, existem diversas dicas de como fazer sua cerveja melhor, mais personalizada, com sua cara. Não é só cozinhar: é pensar nela com carinho, brincar de fazer um rótulo, chamar os amigos, beber. Encher a boca para falar da cerveja, literalmente!

O final do livro tem um Glossário bastante completo e uma lista de sites para ler e acompanhar durante essa nova fase. No Brasil, já existe um número bastante grande de blogueiros sobre o assunto. Vale a pena seguir alguns deles para conhecer novidades. Aqui também temos algumas associações, como as ACERVAS, entidades regionais de grupos de pessoas que se juntam para discutir sobre cerveja caseira. Ainda no finalzinho do livro, um apêndice com mais detalhes sobre diferentes tipos de malte, lúpulo e levedura, que deve ser lido antes mesmo de começar a cozinhar.

O Brasil tem um potencial enorme. Já é o quarto do ranking em fabricação de cerveja industrial. Este livro vem para gerarmos uma tradição e um movimento em um país tão tropical, cheio de possibilidades em cervejas novas e criativas, e cheio de motivos para comemorar!

*Christina Perozzi e Hallie Beaune são sommeliers de cerveja, consulto­ras, escritoras, mestras-cervejeiras e cozinheiras devotas de Los Angeles. São bastante conhecidas como es­pecialistas em cerveja e apresentam o especial de uma hora “Eat This, Drink That”, no Cooking Channel. Elas mantêm um site onde costu­mam postar informações sobre o tema: http://www.thebeerchicks.com.

 

fonte: https://porobsequiotreinamentos.wordpress.com/2014/07/11/cerveja-em-casa-livro/

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